quinta-feira, 16 de abril de 2009

Agora bateu saudade...

Já que comecei a falar da minha moto, vou aproveitar a madrugada e a falta de sono, para contar um pouco da história da minha primeira Harley Davidson, e suas 5 fases de customização, antes da triste perda total...

Originalmente tratava-se de um modelo Sportster 883 Custom.

Todavia, hoje em dia, após algumas (inúmeras) customizações, apenas o quadro ainda restava de original. A minha sorte é que consegui vender tudo o que dela retirei, desde escapes originais, até piscas e espelhos, o que diminuiu consideravelmente meus gastos.

Além disso, sempre gostei de alterações simples, todavia de grande efeito visual, de modo que apesar de ter feito muita coisa, gastei muito menos do que se possa imaginar.

Algo me diz que este post será imenso, espero que seja interessante o suficiente para prender a atenção e não afugente ou adormeça ninguém, rs...

FASE 01


Em 2004, a Sportster sofreu algumas alterações, tais como motor montado em coxins de borracha, pneu traseiro de 150mm. Além disso o modelo Custom que voltou a ser vendido no Brasil, ao invés do clássico tanque peanut, trazia um tanque de 4.5 gallons.

E foi assim que em janeiro de 2004 eu coloquei meus pés, minhas mãos e minha alma no mundo Harley Davidson. E, inegavelmente, há de se concordar que o destino deu uma ajudinha.

Naquela época, todas as motos zero km que chegavam na concessionária já estavam vendidas, de modo que ou você comprava uma usada, ou comprava uma zero e começava a angustiante espera, às vezes de meses, pela moto.

Naquele mês eu estava procurando uma moto para comprar e já cogitava seriamente comprar uma Harley. Isso porque tinha acabado de vender minha Shadow 600, excelente moto que fez com que eu tivesse a certeza de que nasci para o mundo Custom.

Mas como moto é moto e Harley é Harley, acreditei que estava na hora de fazer parte desse mundo.

Fui na IZZO, ou seria RIZZO, e fiquei encantado por uma Softail usada que lá havia. Já customizada, com pneuzão, paralama traseiro cortado e rebaixado, um lindo drag pipe, guidon T-Bar, pintura com flames, enfim, de encher os olhos. Hoje dou graças a Deus que não a comprei...

Havia também algumas Sportsters. Só que quanto as 883, até aquele momento, não tinha uma opinião muito bem resolvida a respeito. Havia algumas que gostava, geralmente as que possuiam um aspecto mais bandido, mais rebelde. Por outro lado, outras que via não me agradavam.

Só que, para minha surpresa, chegou uma Sportster Custom, que estava reservada para um dos vendedores da Harley, que, felizmente (hehe), precisou do dinheiro para outros fins e não pode compra-la.

Assim, vi-me diante do primeiro novo modelo Custom do Rio de Janeiro, que na época era exemplar único, sendo que não tinha dono. Não tinha, porque assim que coloquei os olhos falei:

- É minha...

FASE 02


Exatamente 1600 km após começaram as modificações. Fiz a revisão na IZZO (porque foi de graça) e sai de lá direto para a oficina de um amigo.

Chegando lá, ato contínuo tiramos o escapes originais e colocamos um long shot que ele me emprestou, só para eu começar a fazer um pouco de música. Além disso cortamos o paralama traseiro logo acima do suporte de placa, passando a placa para a lateral, e novo par de piscas traseiros foi instalado.

Como toda customização de Harley que se preze, comecei escolhendo o modelo de escapamento que iria querer. E a escolha acabou sendo meio óbvia. Hell Bent Pipes by Jesse James, from West Coast Choppers.

Só que, ao invés de mandar vir de fora, preferimos usa-lo como inspiração e fazer o escapamento todo aqui mesmo. Conseguimos uns canos curvados, tiramos as medidas e voilà...

Interessei-me em colocar um tanque de softail, devidamente alongado, idéia que causou certa resistência por parte de meu amigo e de outras pessoas, que não levavam fé no projeto.

Uma vez que iria mexer no tanque, ótima oportunidade para trocar o banco também. Foi feito um banco solo mais fininho, com um banco de garupa detachable, carinhosamente apelidado de modess.

Sabe como é né, uma coisa puxa a outra...

E como diz o ditado, o que é um peido para quem já está cagado. Já que a merda estava feita e o dinheiro iria ser gasto, então acrescentamos ao projetinho:

  • mesa larga com grau (devidamente pintada de preto brilhoso)
  • novo farol, com o aro maior e cuba alongada, pintada de preto brilhoso
  • novos risers com guidon barrinha
  • alongador nas canelas
  • pintura das canelas, das espadas e das molas dos amortecedores em preto brilhoso

Capítulo a parte foi decidir como pintar a moto. A inspiração acabou vindo, por incrível que pareça, de um catálogo da própria Harley Davidson. Foi escolhido um design de flames não convencional, no qual as pontas das flames eram no formato do rabo do diabo. Além disso, a pintura mesclava preto fosco (que era a base), com um vermelho meio vinho brilhoso (as flames).

Depois de tudo pronto e devidamente montado, algumas pessoas tiveram que reconhecer que o resultado tinha ficado excelente, apesar de tanque bojudão da softail, hehehe...

Detalhe, sai da oficina com ela às 0:30 do dia do meu aniversário. Melhor presente que esse, impossível...

FASE 03


Depois de toda aquela alteração visual da moto, puramente estética, comecei a me interessar pela mecânica da coisa, mais precisamente por uma palavrinha, qual seja, Performance.

No caso das Sportsters, a melhor alteração nesse quesito, sem sombra de dúvida, chama-se upgrade para 1200. Tal modificação tem um custo/benefício ímpar, acrescentando quase 400 cilindradas, num piscar de olhos.

Várias são as formas de se fazer tal conversão. Pode-se optar por importar o Kit Screamin Eagle, composto por cilindros, pistões, basicamente. Outra alternativa é a compra somente dos pistões, sendo uma alternativa comum os da marca Wiseco, e fazer uma retífica no próprio cilindro original. Na época fiquei com a primeira opção, hoje talvez optasse pela segunda, vai saber...

Aproveitando que ia gastar um dinheiro, adicionei também um filtro de ar esportivo, de menor restrição. Trata-se do Hypercharger da Kuryakyn, com seu famoso blower e charme inegável. Pintado de preto, obviamente...

Bem, após essa transformação, dispensa-se quaisquer comentários mais elaborados sobre o desempenho da moto. Basta dizer: fica do caralho... Torque, conhece???

Como costumamos dizer: life starts at 883, but the fun only at 1200...

Bem, passado o êxtase do ganho na performance, voltei minha atenção para algo que sempre me intrigou: o famoso ape hanger, conhecido aqui como seca-suvaco. Não sei o porquê, mas há uma aura de rebeldia inerente, que por alguma razão deixa a moto mais bandida.

Comecei então a fazer as fatídicas perguntas que tanto ouviria depois: é cansativo??? Dói os braços??? Incomoda??? E pra viajar??? É ruim de pilotar???

Apesar de inicialmente ter uma ressalva com seca-suvaco em Sportster (assim como tenho em relação a banco de molas em motos com bi-shock), dei a cara a tapa e mandei ver. Uma fuçada rápida na internet e pronto, achei um design com curvas para fora bem acentuadas e a espessura maior do que o comum.

Como na minha opinião, seca-suvaco tem que ser alto, senão fica igual bicicleta de padeiro, mandei fazer um com quase 60cm de altura. De vez em quando tomava uns sustos nos retrovisores dos micro-ônibus, hehe... Obviamente, com o tempo, constatei o exagero e providenciei uma diminuição do mesmo.

Não mais que de repente, meu escapamento começou a desbotar e ficar com uma tonalidade no mínimo escrota. Acho que caiu um pouco de óleo nele, fazendo-o desbotar apenas em um pedaço. Além disso, e motivo determinante para a sua troca, foi seu tamanho reduzido, que levantou suspeitas quando a moto começou a dar uns estouros, sem qualquer outra razão aparente.

Pelo sim, pelo não, aproveitando mais um motivo para customizar, lá fui eu novamente para internet atrás de inspiração. E, por incrível que pareça, veio da mesma fonte. O escolhido da vez foi o SS Pipes, também produzido pelo Jesse James, da West Coast Choppers. E, novamente, ao invés de importa-lo, preferimos faze-lo.

Para dar um toque especial e diferente, fizemos a saída no formato conhecido como "pata de vaca" e acrescentamos uma capa de proteção, toda furada.

Ficou show, mas confesso que fazer a curva de saída do escape traseiro deu um trabalho FDP...

FASE 04


Por alguma razão inexplicável, a pintura preto fosco da moto começou a desbotar, resultando em um tom esbranquiçado muito esquisito. Deixei um tempo assim, mas foi ficando cada vez mais feio, até ficar bizarro.

Que pena, tinha arrumado uma desculpa para pintar a moto toda de novo. É quase como ganhar uma moto nova...

Aproveitei a oportunidade (como não) e alterei outras coisas também. Reduzi o tamanho do seca-suvaco para 14 polegadas, todavia acrescentei um riser de 11 cm. Posicionei o seca 90 graus em relação ao chão e o resultado final, em termos de altura e posição ficou excelente.

Vendi minhas rodas (dianteira raiada de 21 pol. e traseira fechada de 16 pol.) e descolei duas rodas raiadas, uma dianteira de 19 pol. e uma traseira de 16 pol., devidamente pintadas de preto e vestidas com o clássico e charmoso pneu banda branca.

O banco da moto foi refeito, para colocação de um espuma mais confortável, sem qualquer aumento de tamanho, afinal banco sofazão ninguém merece. As costuras foram feitas em vermelho, para combinar com a nova pintura, assim como foi bordado o que se tornaria o "nome" da moto: RED SEVEN...

A nova pintura, desta vez com o preto brilhoso como base, ganhou 4 faixas em flake vermelho, que atravessam a moto de ponta a ponta, além do nº 7, em flake vermelho e filete branco, nas laterais do tanque.

Para coroar, como autêntica cereja do bolo, 3 pinstripes em branco, foram devidamente distribuídos, nos paralamas e tanque.

Detalhe técnico/mecânico: foi substituída a mesa com grau, por uma zero grau, assim como substituídos os amortecedores originais por progressive suspension, devido a um pequeno acidente...

FASE 05


Começa com uma busca por mais performance e termina com a mais louca customização feita na moto.

Após a conversão para 1200, pergunta-se: como melhorar a performance ainda mais???

Uma das opções é fazer um trabalho de polimento nos dutos do cabeçote, assim como assentamento de válvulas. Outra opção é colocar um comando de válvulas mais agressivo. Já que ia abrir o motor mesmo, optei pelas duas. Quanto ao comando, apesar de uma variedade inesgotável de modelos, após muita conversa e pesquisa, fiquei com o Andrews N4.

Bem... A moto ficou o cão... Daqueles bem bravos e difíceis de segurar. Até porque, seca-suvaco e comando avançado não é a melhor configuração para quem planeja enroscar o cabo.

Confesso que nunca extrai todo o potencial que meu motor oferecia, pois chegava a uma determinada velocidade em que o seca-suvaco me transformava numa vela de barco e a moto perdia toda estabilidade, shimmando de forma muito perigosa. De qualquer forma, a ferocidade com que chegava nessa velocidade limite já era suficiente para abrir um sorriso de orelha a orelha.

Como diz aquele anúncio famoso, potência não é nada sem controle, e como sempre achei os freios da sportster uma bela mierda, resolvi fazer um upgrade. E acabei descobrindo, o que hoje considero a fórmula de melhor custo/benefício. Instalei um cabo aeroquip, e um disco de freio flutuante somado a pinça de freio de Twin Cam. Passou a freiar sensível e consideravelmente mais.

Um alerta para aqueles que se aventurarem nesse upgrade. Ao trocar a pinça original das sportys, pela pinça da Twin Cam, será necessário também a troca do cabo, assim como burrinho de freio e respectiva manete, também pelo da Twin Cam. Em compensação, trata-se de uma modificação plug and play, basta tirar um e colocar o outro. Não necessita nenhuma adaptação.

Ao retirar a tampa lateral para instalar o novo comando de válvulas, aproveitei para fazer um corte no estilo dos antigos knuckle e panheads, deixando-a mais arredondada e menos quadradona. Por falar em quadradona, a tampa do pinhão também foi cortada, ficando com visual parecido com um antigo filtro de ar, redondo e todo furado.

And last but not least...

Embreagem suicida e jockey shift. Para que ser igual se você pode ser diferente.

Para quem não conhece, explico de forma simples. A embreagem deixa de ser acionada no manete esquerdo e passa a ser acionada no pedal que normalmente se usa para trocar as marchas. Já a troca das marchas passa a ser feita manualmente, através de uma alavanca que pode ficar próxima ao tanque (tank shift) ou atrás da perna esquerda (jockey shift).

Resumindo: adeus pé esquerdo no chão...

Não é tão simples quanto parece, nem tão complicado quanto se imagina, mas uma coisa eu asseguro: você irá aprender a andar de moto de novo.

Após muitos sustos, morridas e engasgadas, você se acostuma e começa a antever algumas coisas, e se torna um pouco mais cauteloso no trânsito. Até que depois de um tempo você volta a ser o abusado de sempre...

Meu sistema foi todo made in Rio, inspirado em um modelo da Labriola Machine. Dessa vez a cereja do bolo ficou por conta da bola de sinuca, nº7, vermelha, presa na extremidade da alavanca de marcha.

Infelizmente após o acidente a moto ficou destruída, e já não mais me pertence.

Na memória ficará...

RED SEVEN - NEVER FORGOTTEN

5 comentários:

Cara de Mau disse...

lobo uivou a noite toda..

Luyzynhu disse...

Nossa, pirei na história. Eu tava até pensando em trocar de moto, vender minha sportster e comprar uma maior, mais forte. Só que a maioria das motos Harley me parece meio tiozão. Sem ofensas, mas eu ainda to com 27 né? O que gosto na minha 883R é justamente o visual bandido. Uma que me atrai bastante, é a Night Train. A Night Rod é linda também, mas haja grana. Agora eu fiquei com mais vontade de modificar a minha 883R.
Aproveitando, em termos de durabilidade, qual vc acha a melhor opção para kit 1200? E quanto eu vou gastar, em média, pra fazer tudo que tem de fazer?
Valeu!

Diego - Falcões MC Raça Liberta - SP disse...

É Lobo, curti a historia da motoca...pode ter certeza que ela esta em boas mãos e vou conservar a memoria dela por muitos anos ainda...curti ela e é claro, precisa de alguns ajustes pq o cara que estava com ela judiou..mandou ver no colorgim...affff....a proxima mudança vai ser uma pintura pois esta toda desgastada, vou fazer um preto fosco com detalhes igual da primeira fase dela....vou postando fotos no orkut...abração Lobo

Neto disse...

show de bola Lobo! quem curte lê amarradão a história!

Caio disse...

Amigos vem a feliz noticia, essa moto ainda existe foi totalmente recuperada e como a fênix que renasce das cinzas. esta em Campinas na loja tenessee H-D trocando os tuchos hidráulicos essa moto continua sua historia. Esta em boas mãos

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