segunda-feira, 20 de abril de 2009

Somos Todos Joões

João com cabelo solto
João exigindo dinheiro
João da barriga grande,
João que se exibe pras garotas
João que acha que é um gênio
João que vomita
João que fala mal dos sortudos
João ficando cada vez mais velho
João ainda exigindo dinheiro
João escorregando pelo pé de feijão
João que fala mais não faz
João que escapa impune do assassinato
João que faz biscates
João que fala dos velhos tempos
João que fala e fala
João com a mão estendida
João que aterroriza os fracos
João o amargurado
João dos cafés
João implorando reconhecimento
João que nunca tem emprego
João que superestima totalmente seu potencial
João que fica gritando sobre seu talento não reconhecido
João que culpa a todos

Você sabe quem é João,
Você o viu ontem,
Você o verá amanhã
Você o verá semana que vem.

Querendo sem fazer,
querendo de graça.

Querendo fama,
Querendo mulheres,
Querendo tudo.

Um mundo cheio de Joões descendo pelo pé de feijão.

Charles Bukowsky.





Aí o Lord tava lá em Rio das Flores. Sem carteirinha da FUNAI pro programa de índio.

Evento organizado, muita gente (mais que o esperado). Alguns amigos, mas em geral, a mesma fauna de sempre. Posers, posers e mais posers. Um tipo de poser que incomoda alguns, mas que me agrada, por incrível que pareça.

Afinal, o que fazer ? Posers são a realidade, a média, a mediocridade. E esperar da humanidade mais que a mediocridade é esperar à toa...

Nos planos ia passar o primeiro dia e noite em Rio das Flores, vendo os posers povão. De lá encarar mais 350km pra lidar com os posers ricos. E quem sabe, esticar até um outro evento, de carros antigos em Águas de Lindóia, mais parecido que possam supor. Porque posers também habitam o antigomobilismo.

Aí...

Lord logo de manhã tomando um café na padaria, vem um senhor: “Opa, essa moto é sua ?”
E puxa conversa, muito na boa, na humildade. Conversa vai, conversa vem, o cara tinha vindo especialmente para o encontro de Rio das Flores, com o filho na garupa, numa XT600. Desde Itacaré, na Bahia. 1.500km de distância.

Aí estamos conversando e se junta outro cara, que estava nos ouvindo. Que tinha vindo de XT600 também. De RONDONIA !

De cara fiquei intrigado no porque da XT600.
“Ih, Lord, a Yamaha tem as melhores revendas lá pra cima...”
Não é porque é a moto da moda, porque faz o estilo que ele quer emular, nada disso. É simplesmente porque é A MOTO QUE ELES TIVERAM ACESSO !

Bom, com companhia desse quilate, mais bikers que a maioria dos que se consideram como tal, que passei o sábado. Boa conversa, cerveja gelada, roquenrou de qualidade duvidosa (bom, não há dúvida: O show principal da noite foi SERGUEI), e papo de primeira: condição das estradas, rotas alternativas, projetos futuros...

Domingo Lord acorda, café na padoca, encontra mais uns loucos conhecidos:
“Lord, vamos fugir dessa presepada, tem um encontro de cavaleiros na cidade vizinha, vamos lá.”
Ainda argumentei que ia pra Campos do Jordão, mas não havia como discutir, eu estaria trocando posers povão por posers riquinhos. Rumamos pro evento.

E aí você dá de cara com o que ?
Posers.
Na maioria, gente fantasiada de cowboy, tirando uma de badpeão, de gostosa country.
E de vez em quando, esbarra com um cara, do tipo que viria de XT600 da puta que o pariu pra participar do evento.

Não preciso dizer que depois de algumas horas estávamos numa mesma mesa com alguns peões, uns malucos conhecidos, o cara de Itacaré e seu filho, o cara de Rondônia... Tomando cachaça mineira, cerveja, um zoando o outro com um respeito e uma intimidade típicos de quem se identifica sem maiores frescuras.

Onde eu quero chegar com isso ?

Posers são inevitáveis. Moscas da Austrália, incomodam mas não é possível evita-las.
Como as moscas da Austrália, quando você começa a ignora-las, elas passam a nem incomodar tanto mais.

Se te perguntam se devem comprar uma moto zero financiada, ou uma usada por preço mais baixo, diz que deve comprar zero. É mais uma que vem pro mercado a preço interessante em breve... Se o cara quer se fantasiar todo de motoqueiro selvagem, ótimo. Adoro ver as barangas deles na garupa olhando pra mim com olhar pidão...

E sempre vai haver uma mesa com uns caras que vieram de XT600 do raio que o parta, sem grandes rococós, com uma conversa franca e verdadeira. Só torça pra que você seja convidado pra ela...

Pois no fim, por mais que a gente evite,

Somos todos Joões.

6 comentários:

robson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
robson disse...

mesmo, Lord. Sábias palavras.
Quando eu comecei a sair de casa pra ver as motos nos encontros perto da minha cidade - anos 90 -, era tudo baseado na simplicidade e autenticidade. Eu ficava lá, babando nas Harley-Davidson e sonhando (como sonho ainda) em ter uma Shovelhead.Acima de tudo, fiz grandes amigos no meio motociclistico, e olha que nem tenho moto.
Mas a coisa ta assim mesmo; mudou tudo pra pior.
Parabéns pelo blog. Tudo de bom pra vc!
São João del Rei/MG

Amaral disse...

Valeu João.

É bem por aí, mas as vezes, enche demais o saco...

Um abraço

João

Azuhl disse...

Poser é mosca. Tem em todo lugar, em todos os meios. E, com informação andando na velocidade que vai hoje, só vai aumentar.

Compram e vendem uma cultura que não é deles.

LOGAN disse...

É bem por aí mesmo!
Encontro de Moto?
Encontro de Mulambos, Posers, Rice Bikers, Malacados do Asfalto?
FTW! Eu quero é rodar!

LOGAN

sakai disse...

Tô metendo um 600 de Tenere num rabo duro. Esse motor é um trator, eis o pq da escolha dos estradeiros.

Tive aí no Recreio semana passada num bate e volta. Se tivesse tempo, te ligava pra conhecer teu esconderijo. E ouvi que o fim do autódromo é pra valer...

Gambatte, Lord-san.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...