sábado, 13 de junho de 2009

O Role Morreu


Hoje cheguei à conclusão de que não gosto de andar de moto na cidade. O tal role, tirando horários muito específicos, não me dá mais prazer nenhum.

As ruas do Rio estão muito esburacadas, as pessoas com muita pressa de ir de nenhum lugar pra lugar nenhum, ou talvez até eu mesmo esteja muito velho...

Li a pouco uma matéria de um cara que havia decidido abandonar o celular. Ele chegou à conclusão de que antigamente, com os telefones residenciais as pessoas só se dignavam interromper o que quer que outro estivesse fazendo quando estivessem em casa. Ou seja, pra se comunicar através do telefone ele teria que se deslocar até em casa, o que daria tempo de repensar a importância daquele telefonema, e caso fosse interessante, iria até mesmo encontrar o outro pessoalmente.

Hoje com as modernas maneiras de comunicação as pessoas, absortas em suas conversas vazias acabam por abstrair da realidade que as cerca.

A visão comum numa cidade, de dezenas, centenas de pessoas com o olhar vidrado falando consigo mesmas com a mão ao ouvido, a alguns anos atrás seria impossível de imaginar...

Agora mesmo, acabo de voltar de um “rolé”.

Saindo da oficina no Autódromo em direção ao Recreio, quase 9 da noite de sábado, transito desagradável, pessoas com pressa em seus Pageros pretos com vidros pretos, falando ao celular apesar de estarem acompanhados... de pessoas que também falam ao celular.

Tão absortos que são incapazes de ver que o céu está abrindo, depois da chuva as estrelas brilham intensamente, o mar está grande devido à frente fria, não tem um mosquitinho voando, o ar está frio e limpíssimo...

Praças vazias, tudo vazio, locais excelentes pras pessoas se encontrarem, conversarem, sem uma alma viva. Porque não tem um monte de gente ali, com suas cadeiras, como antigamente, tipo cidadezinha, sentados conversando bobagem, mas PESSOALMENTE !

Quem seria louco de parar nessas praças à noite além de putas e travecos à caça de seus clientes...ou um bandido qualquer, ou um outro humano qualquer pronto a fazer merda.

Será que não estamos perdendo a mão ? Meio que nos enchendo de gadgets e esquecendo que o contato pessoal, o conhecer alguém do nada é que é o mais interessante. Nego se conhece intimamente, e nem nunca viu a cara do outro pessoalmente!!!






Estamos perto de Tiradentes.

Este ano a grana está curtíssima, e até a tradicionalíssima Casa do Lord correu risco de não rolar. No fim resolvi ligar o foda-se e ir assim mesmo, o que é um pum pra quem ta todo cagado...

E também porque acredito que as pessoas devem buscar esse tipo de evento. Em que as pessoas se encontrem, se apresentem, interajam, se comuniquem.

Pessoalmente.

Conversando como seres humanos.

E sem contaminações eletrônicas, sem muletas, sem subterfúgios.

Apenas seres humanos com interesses semelhantes, se encontrando e interagindo.

Festejando tudo, e o que quiser. A moto, o inverno, o Patrimônio Histórico (OK, essa foi pra conquistar o procurador), a amizade, a humanidade, a vida.






Agora, vamos dar as mãos e cantar: “We are the world, we are the children...”




Ou não…

3 comentários:

Cara de Mau disse...

é irmão, e estamos no Rio de Janeiro(cidade maravilhosa!), imagina em sampa, acredito ser pior..

estou tentando buscar meu sonho de sair da cidade grande.. mas por conta do meu oficio, hj tenho que ficar perto do buraco negro.

grande abraço e ótima semana

Lobo disse...

O "romantismo" lato sensu já está extinto.

É como eu sempre digo, queria ter vivido em outra época...

Cara de Mau disse...

é lobo mas pense pelo lado positivo, nossos netos vão querer viver na nossa época , então .... aproveitemos

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