sábado, 24 de abril de 2010

A antiga arte da tatuagem japonesa e a técnica do Tebori


Particularmente aprecio tudo que tenha tradição, que tenha história, um background com um significado. Tudo que possua um sentido que transcenda sua individualidade. Assim é no mundo das motocicletas, assim é no mundo das tatuagens.

Sendo assim, achei sensacional o post do blog The Selvedge Yard (que vale a visita, diga-se de passagem) que reproduziu uma matéria veiculada do site Tattoos.com trazendo a história do mestre da tatuagem japonesa Kazuo Oguri, contada por ele próprio, abrangendo desde seu período de aprendizado, até suas impressões acerca do mundo da tatuagem no Japão, nos dias de hoje.

Por isso resolvi fazer uma tradução livre, misturando as fotos e os textos de ambos os sites citados.


Kazuo Oguri recebe um prêmio pelo conjunto da obra, das mãos de Steve Gilbert na primeira Ink Xposure em 1998. Fotografia de © Kazuo Oguri


Conhecido no Japão como Horihide, seu nome de Tatuador, Oguri é um artista famoso e altamente reconhecido como o pioneiro que introduziu a tatuagem japonesa para tatuadores norte-americanos como Sailor Jerry e, posteriormente, Ed Hardy, após a Segunda Guerra Mundial. Pode-se dizer, inclusive, que abriu caminho para as grandes tatuagens asiáticas de corpo inteiro, conhecidas como body suit, mudando a cara da tatuagem ocidental na última metade do século XXI.

Esta é a sua história, contada com suas próprias palavras:

"Quando eu era um aprendiz, ainda existiam costumes feudais no Japão. A aprendizagem era um desses costumes feudais, denominado uchideshi. Normalmente, os aprendizes moravam com seus mestres, sendo treinados durante 05 anos. Após este longo treinamento, os alunos trabalhavam de forma independente, porém, davam para seu mestre, durante 01 ano, o dinheiro recebido. O serviço de 01 ano é chamado oreiboko em japonês, e representa uma forma do pupilo expressar sua gratidão para com seu mestre. Os mestres normalmente informam seus novos alunos acerca deste sistema, de 05 anos de formação mais 01 ano de serviço, quando se inicia o aprendizado.

Nos primeiros 02 anos, eu tinha que fazer tarefas cotidianas apenas. O mestre ainda não ensinava a arte de tatuar. Tatuadores não devem cometer erros em seu trabalho. O objetivo de fazer as tarefas é disciplinar os alunos. Se os alunos completassem este período, o mestre permitia que aprendessem a tatuagem pouco a pouco. Durante esse tempo, meu mestre me deixava apenas fazer esboços (desenhos) de tatuagens, todas as noites após minhas tarefas diárias, usando como modelo seus trabalhos.


Meados do século XX, Japão - Fotografia de © Hulton Deutsch-Collection


Eu costumava acordar às 05 horas da manhã e varrer a casa toda por dentro e por fora, além de limpar o chão com pano úmido. No inverno, devido à água gelada, minhas mãos ficavam dormentes e com frieiras, e meus dedos inchados.

Nas refeições, apenas me era permitido uma xícara de sopa e um prato. Uma tigela de arroz também era servida. Ainda que quisesse comer mais, eu não poderia, pois estava em formação. Isto foi logo após a II Guerra Mundial e devido à insuficiência de suprimentos era difícil obtermos arroz suficiente. Nós então comíamos uma mistura de arroz e cevada. Eu tinha apenas 19 anos e vivia morrendo de fome. Foi uma experiência difícil.

Os jovens de hoje nunca irão compreender como era duro o treinamento. Às vezes o mestre gritava comigo e me batia. Para suportar este tratamento é preciso paciência. Por causa deste pesado tratamento, a maioria dos alunos desistia e fugia dos mestres. Confesso que muitas vezes eu me perguntava por que ele batia em nós. Embora eu tivesse raiva do mestre, eu não podia retrucar. Tudo o que eu podia fazer no período feudal era somente obedecer ao que o mestre dizia. Ficava tão frustrado que chorava na cama muitas vezes.

O mestre, às vezes, me dava um tapa sem razão. No entanto, eu entendi que ele propositadamente me batia e me forçava a trabalhar em excesso, visando minha formação mental para quando me tornasse um tatuador mais tarde. Eu o odiava muito durante o aprendizado, entretanto, olhando para trás agora, eu me envergonho de ter tido tais sentimentos em relação a ele.


1946, Tóquio, Japão - Um tatuador japonês trabalhando no ombro de um membro da Yakuza. Fotografia de © Horace Bristol


Antigamente, os tatuadores japoneses trabalhavam em suas próprias casas. Suas atividades eram realizadas de forma sigilosa. Não havia publicação de anúncio, exibição de placas ou números de telefone disponíves. A prática da tatuagem foi proibida no Japão (até o final da II Guerra Mundial), de forma que os clientes costumavam encontrar as lojas de tatuagem na base do boca a boca.

Eu dormia no local de trabalho quando ainda era um aprendiz. Como queria ser um grande tatuador o mais rapidamente possível, costumava, no meio da noite, pegar as agulhas da caixa de ferramentas do mestre, sentar de pernas cruzadas e praticar na minha coxa, sem a tinta, lembrando como meu mestre havia feito.

Eu me mantive praticando a tatuagem sem usar tinta, utilizando-me de uma vareta de bambu grosso para sujibori (contorno) com cerca de 20 cm de comprimento. A extremidade da vareta era afiada e 6-7 agulhas eram colocadas em ordem e amarradas por fio de seda. O comprimento da ponta de agulha era de 3-4 mm. Eu queria me tornar logo um tatuador, por isso praticava a incisão em ambas as minhas coxas com a vareta de bambu, todas as noites após o trabalho.

Como não sabia usar as ferramentas de tatuagem com precisão, assim como ajustar os ângulos de incisão, às vezes me perfurava muito profundamente, deixando minha pele inchada e sangrando. Eu não conseguia tatuar usando a vareta de bambu como eu queria. Durante o dia ficava encarregado de algumas tarefas. Caso não tivesse nenhum trabalho a fazer, gostava de sentar no lado esquerdo do mestre e observar seu trabalho à distância.

Todos os clientes tinham hora marcada e submetiam-se ao hitopporiHitoppori em japonês significa ser tatuado por 02 horas a cada dia. Se a tatuagem a ser feita fosse muito grande, o cliente retornaria a cada 03 dias para dar prosseguimento ao trabalho.

Eu costumava ficar sentado por 02 horas seguidas, somente observando as mãos do meu mestre, para aprender suas habilidades na arte de tatuar. O mestre me dizia: "Eu não vou lhe dar uma lição. Você que roube minhas técnicas, observando-me trabalhar. Observar é o caminho mais rápido para aprender, em vez de ouvir instruções, caso se queira realmente aprender alguma coisa".

Apesar de estar cheio de entusiasmo, minhas habilidades não melhoravam com facilidade. Eu não conseguia ver nenhum progresso em nada.


24 de outubro de 1955, Tóquio, Japão - Em uma reunião de apreciadores da tatuagem, este homem explica a seu filho o significado dos desenhos, bem como a técnica com a qual a arte foi executada. Um dia, quando o jovem crescer, ele poderá optar por ter o seu próprio corpo decorado da mesma maneira. Soldados americanos, em missão no Japão, estão entre aqueles que hoje apadrinham os tatuadores. Fotografia de © Bettmann / CORBIS


Um dia, a esposa do mestre me pediu para cortar a madeira (os alunos normalmente chamar o mulher do mestre de ane-san ou san-okami. A esposa do mestre parecia tão feliz quando eu assim a chamava que passei a me dirigir a ela desta forma durante meu aprendizado.) Um dia, estava cortando a lenha no quintal, mas estava muito quente, e como estava suando muito, resolvi tirar minha camisa e minhas calças. Ane-san veio e me pediu para descansar um pouco. Ela me trouxe uma xícara de chá, e acabou por perceber as marcas das agulhas em minhas coxas.

Ela ficou surpresa e me disse: "Como você conseguiu essas cicatrizes nas coxas? Você pratica tatuagem em si mesmo? "

"Sim", eu respondi, "mas eu não tatuo bem como o mestre faz."

"Você já viu as pernas e tornozelos do meu marido?", ela retrucou.

"Não." Eu disse.

Ela continuou: "Suas pernas são totalmente cobertas com tatuagens. Você entende o que eu quero dizer? Ele me disse que praticou tatuagens nas pernas, usando tinta, quando ainda era um aluno. É por isso que suas pernas são todas pretas. Ele também me disse que um tatuador precisa aprender a tatuar no próprio corpo para se tornar um tatuador profissional. Não há nada que possa substituir a pele humana. Então você tem que aprender a tatuar usando seu próprio corpo."

Depois de ouvir essa história, lembrei-me que o mestre tinha tatuagens em toda extensão de seus braços, mas que eu nunca tinha visto seus pés descalços. Questionei-me se deveria começar a praticar com tinta, afinal seria a única forma de entender a técnica de introduzir a tinta na pele.

Decidi então dominar as técnicas até que meu corpo inteiro ficasse preto. "Eu nunca vou desistir. Se eu desistir, não serei um verdadeiro homem." Desde então, eu praticava tatuagem em qualquer parte das pernas, das coxas até os tornozelos, quase todos os dias. Todavia, a fim de poder me manter praticando, eu permaneci sem utilizar tinta.


1946, Tóquio, Japão - O tatuador japonês trabalha nas costas de uma mulher. Fotografia de © Horace Bristol


Quando eu era um aprendiz, meu mestre me ensinou como fazer agulhas de tatuagem. Cada tatuador tem a sua maneira particular de fazê-las. Eu coloco 07 agulhas em ordem e curvo suas pontas, fazendo um formato de leque, sendo o meio das agulhas definido como o topo, puxando o restante para baixo.

Quando vou fazer linhas finas, eu uso 02 ou 03 das 07 agulhas, que são as mais próximas das mãos, ajustando o ângulo da agulha com a pele. Normalmente, quando vou tatuar as linhas de contorno, eu toco a pele apenas com o meio do grupo de agulhas.

Para os detalhes da tatuagem, alguns tatuadores usam uma outra ferramenta separada que consiste em apenas 03 agulhas. Verdadeiros tatuadores profissionais, entretanto, podem tatuar o que quiserem usando apenas um conjunto de agulhas para contornar, sem a necessidades de outros instrumentos de tatuagem. Eles podem tatuar qualquer linha fina ou grossa, pequenos círculos e assim por diante.

Os tatuadores profissionais tatuam suavemente os desenhos na pele, de cima para baixo, baixo para cima, direita para a esquerda, esquerda para a direita. Quando eu preciso de mais tinta depois de tatuar da esquerda para a direita, por exemplo, eu faço kaeshibari, virando as agulhas. Kaeshibari é uma das técnicas, na qual se vira as agulhas, usando o resto da tinta remanescente do outro lado.


1946, Tokyo, Japão - Tatuagens cobrem a pele de cadáveres japoneses que foram doados para pesquisa e preservação. Fotografia de © Horace Bristol


Técnica do Tebori (tatuar com a mão)

Tatuar com as mãos, requer técnicas especiais. Deve ser feita por punção da pele com a agulha, suavemente, ajustando a força das mãos. Por ser a pele humana muito macia e elástica, é possível ouvir um som, shakki, quando as agulhas saem da pele. Quando estou tatuando bem consigo ouvir um som ritmado como "sha, sha, sha."

Eu mergulho as agulhas na tinta, e tatuo uma linha com cerca de um centímetro de comprimento. Este passo é repetido continuamente durante sujibori (contorno). Eu mantenho a mesma velocidade (ritmo), independente do tipo de desenho ou forma que estou tatuando, sejam círculos, quadrados ou linhas. Eu faço os contornos passo a passo em cada parte do corpo, ombros, braços e costas, até finalmente concluir a obra de arte. Assim é que a tatuagem de corpo inteiro é concluída.

Para bokashibori (sombreamento), conjuntos de 12 e 13 agulhas são preparados, e cada jogo é soldado na forma de um leque. O conjunto de 12 agulhas é colocado sob o conjunto de 13 agulhas e escalonado, ficando um pouco mais recuado.

Quando eu faço bokashibori, eu insiro a tinta na pele em um ângulo que corresponde ao ângulo formado pelos dois conjuntos de agulhas. Tenho que ajustar a força do traço, usando ambos os jogos de agulhas, tanto o de 12, quanto o de 13, pois se eu usar apenas um deles, a tinta pode não ser inserida na pele corretamente. O conjunto de 12 agulhas, localizado mais abaixo, tem que ser manejado com cuidado, de modo a tocar na pele gentilmente. É muito difícil dominar o uso dessas agulhas, especialmente essas de baixo.

Atualmente, nós, os tatuadores japoneses, adquirimos agulhas de tatuagem diretamente de fábricas. No entanto, quando eu era aluno, faziamos as agulhas de tatuagem usando as mais finas agulhas de costura, mas muitas delas não eram de boa qualidade. De um pacote de 25 agulhas, metade não serviam.

Naqueles tempos, usávamos uma tinta chamada sakurazumi. Hoje em dia, usamos baikaboku, que é feita de fuligem de óleo de cozinha. A tinta de caligrafia, que é feita de fuligem de resina, não é adequada para a tatuagem, porque a cor não dura muito tempo.

O número de tatuadores japoneses que fazem sujibori (contorno à mão) e bokashibori (sombreamento à mão) está em declínio hoje. Tatuadores jovens tendem a evitar um aprendizado a longo prazo estudando sob as orientações de um mestre reconhecido na arte da tatuagem. Muitos tatuadores jovens usam máquinas elétricas e copiam os padrões dos desenhos de tatuagens. Eles não conseguem desenhar a mão livre. Na verdade, tebori, tatuagem com a mão, é difícil. Não é fácil e leva tempo e paciência para o completo domínio de suas técnicas. Fico triste de pensar que o número de tatuadores japoneses tradicionais, que são capazes de fazer tebori está diminuindo.


1946, Tóquio, Japão - Tatuador japonês realizando trabalho em membros da Yakuza. Fotografia de © Horace Bristol


Na maioria das vezes, os desenhos das tatuagens são baseados nos ukiyoe (impressões em blocos de madeira) da obra de Kuniyoshi. A obra mais popular é Suikoden, que se baseia em uma lendária história  chinesa. Os guerreiros do Suikoden de Kuniyoshi são maravilhosos e impressionantes. É uma boa oportunidade para os tatuadores mostrarem suas habilidades, ou seja, para mostrar o quão bem eles podem reproduzir obras de Kuniyoshi.

Os desenhos das tatuagens possuem significados, que me foram passados por meu mestre, enquanto era seu pupilo.

Tatuadores que não tenham sido aprendizes e treinados por mestres da arte da tatuagem não sabem as razões ou os significados dos desenhos tradicionais. Por exemplo, existem quatro estações do ano (primavera, verão, outono e inverno) no Japão. As estações devem ser representadas na arte da tatuagem também. Verdadeiros tatuadores japoneses expressam cada uma dessas épocas sobre a pele. No entanto, tatuadores inexperientes não conhecem os pensamentos sobre a arte tradicional japonesa.

Os tatuadores inexperientes desenham uma serpente acompanhadas de flores de cerejeira, mas isto está errado de acordo com a tradição. Quando cerejeiras começam a florescer é Março no Japão, e a Cobra ainda hiberna sob a terra. Então, a flor de cerejeira e a cobra não podem ser vistas no mesmo período. Em outras palavras, não faz qualquer sentido se a cobra e flores de cerejeira forem desenhados em conjunto.

Alguns tatuadores tatuam uma carpa subindo a cachoeira, juntamente com peônias. Na verdade, no Japão, só podemos ver a carpa subindo a cachoeira no final de Setembro para Outubro. Devem ser acompanhadas de folhas de bordo, não peônias (o símbolo de folhas de bordo refere-se ao Outono). Quando hutatsugoi (carpas gêmeas) ou huhugoi (uma carpa casal) são desenhados, duas carpas (uma carpa no braço, por exemplo) podem vir junto de peônias, porque nós não temos que expressar estações do ano nesses casos.

Existem várias combinações tradicionais: Karajishi, que é uma combinação Shishi (leão) com Botan (peônias); Ryu (dragão), com Kiku (crisântemo); Menchirashi (men significa "máscara" e chirashi ou chirasu significa "dispersão"), com flores de cerejeira. Essas imagens são tradicionais combinações nas nos desenhos das tatuagens japonesas.


1946, Tóquio, Japão - Homens tatuados em banho público. Fotografia de © Horace Bristol


Um dia, conheci um homem que tinha tatuagens denominada tenka gomen (Tenka Gomen significa "desligamento sobre o  mundo." Tenka significa "o mundo". Gomen significa "demissão" ou "alívio". No entanto, neste caso Go significa "cinco", e Men é "uma máscara."). O homem tinha tatuagens de 05 máscaras nos braços, sendo 02 máscaras no braço esquerdo e 03 no direito. Ele mostrou com orgulho suas tatuagens para mim, mas pude reconhecer que o trabalho foi feito por um tatuador inexperiente.

Na forma tradicional, 02 máscaras em cada braço é como a tatuagem deve ser feita. O rosto humano é contado como uma máscara, logo 04 máscaras nos braços seria a expressão adequada. No entanto, tatuadores que não têm experiência de aprendizado com os mestres da tatuagem são propensos a cometer erros desse tipo.

Eu continuo constantemente fazendo desenhos para tatuagens enquanto trabalho como tatuador profissional. Este é um dos ensinamentos do meu mestre, que dizia: "Você não deve ficar para sempre satisfeito com seu trabalho como tatuador. Até você morrer, você deve continuar a treinar, e fazer esforços para melhorar suas habilidades." É por isso que eu continuo praticando, mesmo agora que já acabei meu treinamento como pupilo.

Horimono significa "tattoo" em japonês. Hori ou horu é "incisar" ou "cavar" e mono significa "as coisas." A arte de tatuar é similar a arte de entalhar uma escultura. A tatuagem não é uma imagem, devendo supostamente ser apreciada ao longo de muitos e muitos anos. O que é retratado pela tatuagem deve ser claramente reconhecido de longe. Se a tatuagem for muito detalhada, dificilmente pode ser vista à distância. Como esculturas, tatuagens precisam ser brutas e, em certa medida drásticas. Tais tatuagens são mais atraentes à visão das pessoas. Concluído o trabalho eu posso compreender porque as tatuagens precisam se destacar visivelmente.

Muitas vezes essas agulhas feitas eram roubadas pelos clientes. Presumo que alguns tatuadores os pediam para se passar por clientes e rouba-las, a fim de saber como eu as fazia. Embora compreenda que eles estivessem ansiosos para aprender como tatuar profissionalmente, eu ficava muito irritado com essas atitudes. Quando eu tatuava, colocava minha caixa de ferramentas ao meu lado. Eles se aproveitavam quando eu me ausentava (para ir ao banheiro, por exemplo) para roubar minhas agulhas. Não era difícil roubá-las, afinal eu preparava as agulhas necessárias apenas quando fosse precisar delas.

Apesar de ter o costume de fechar a porta do meu estúdio depois do trabalho, máquinas, tintas coloridas e meus desenhos para as costas (cerca de 120 desenhos) foram todos roubados em vários momentos. Tais desenhos eram especialmente importantes para mim. Eu tinha muitos projetos elaborados e armazenados, por um longo tempo, o que me deixa extremamente frustrado quando me recordo desses incidentes e penso em quanto tempo passei fazendo os desenhos.


1946, Tokyo, Japão - (esquerda) Banhistas tatuados em um banheiro público; (direita) tatuador japonês trabalhando no ombro de um adepto. Fotografia de © Horace Bristol


Mesmo agora que eu estou ocupado e cansado, eu continuo a fazer desenhos quase todos os dias.

Até cinco ou seis anos atrás, eu viajava por todo o Japão. Se meu cliente me pedisse para ir até ele, eu iria a qualquer lugar para tatuar. Viajei muitas vezes e conheci muitas pessoas. Eu aprendi um monte de histórias interessantes a partir deles, as quais gostaria de falar sobre, caso tenha uma chance de escrever em uma próxima vez.

Estou muito feliz com meu trabalho e amo o que faço. Enquanto puder mover minhas mãos, vou continuar tatuando. Agradeço muito ao meu mestre. Sem os seus ensinamentos, eu não poderia ter sido um tatuador. Eu nunca me esquecerei de minha eterna gratidão para com o meu mestre.




Fonte/Source:
Tradução/Translation: Lobo


PS: The content of the post above was obtained from combining text and photos taken from two other sites. For those wishing to learn more about the ancient art of the japanese tebori, please access the sites mentioned throughout the post. There you can view the English version of the above text, translated from the original Japanese by Mieko Yamada.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal. Excelente post. Ph*d@ mesmo! Dá vontade de embarcar agora num avião rumo ao Japão e mandar ver. Parabéns pela postagem.
[]s, L.F.Lobo.

Clayton Tattoo disse...

Viver do que se ama fazer é, e sempre será difíssil.Mas a satisfação é indescritível, sempre com sofrimento,as vezes aos trancos e barrancos, mas o prazer de viver pela arte sempre compesará tudo.

Anônimo disse...

A tradição de um povo e de uma técnica milenar realmente não pode ser copiada... é algo que deve ser criado na alma e feito com amor e dedicação... assim se fazem os Mestres!

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