domingo, 27 de março de 2011

Sobre customizações, mosquitos e Nina Simone



Estava aqui sentado vendo as estrelas saindo detrás do monte e sumindo nas telhas da varanda.

Eu tinha desligado o telefone com o Lobo. E fiquei pensando num dos assuntos que conversamos, as modificações que vamos fazendo nas motos à medida que o tempo vai passando.

Lembrei da primeira moto dele, uma das Sportsters mais bonitas e bem feitas, mas que seria impraticável pro que ele utiliza hoje. Na época fiz um comentário de que “a bike is supposed to be ridden”, a respeito de customizações bem bacanas que ele havia feito, mas que pra mim achava completamente sem propósito.

E como ele agora estava pensando em colocar um seca na Evo, uma das primeiras coisas que aconselhei na época que comprou a moto.

O cara agora está pegando estrada direto. É natural que queira colocar a moto o mais preparada possível pra isso.

Em cada fase da vida a gente vai adaptando a moto pras nossas necessidades.

A moto no fim acaba sendo mesmo uma expressão do dono. Se um cara tem a mesma moto a uns dois anos, dá pra conhecer um pouco dele só olhando pra moto.

Ali vai ficando, ano a ano, a cada fase da vida, nosso aprendizado.

A Carolina, minha CB 400, tinha um guidão da Custom (quase um mini-seca), um Highway Peg artesanal (que na época eu chamava "pedaleira de estrada"), e um sissy-bar (que na época chamava "santantonio"), que quebravam um galhão. Tinha também um descanso de pé de Águia, mas eram os anos 80, sabe como é...

Rodei mais de 200.000km nela. Ela era a expressão daquela fase da minha vida.

Acredito que customização é buscar referencias pro seu objetivo, mas no fim, é bunda no banco e pneu no asfalto que vão te dizer o que funciona pra você.

Por isso digo que os melhores acessórios que você pode colocar na sua moto são quilômetros.


Bom, os mosquitos estão me devorando, vou voltar lá pra dentro que Nina Simone está me chamando.




8 comentários:

Zart disse...

Grande Lord, faço minha as tuas palavras....
Teu comentário resume exatamente aquilo que os verdadeiros amantes das duas rodas passam ao longo da vida...ou seja, a moto amadurece com seus donos.
O tempo passa, gastamos um monte de grana em modificações e no final, oq realmente vale são os kms rodados.
Abrs.
Zart

Carlos Ábila disse...

É por causa de textos assim que visito o blog diariamente.!! abraços

Anônimo disse...

Que tal fazer uma camiseta com a sua "O melhor acessório que vc pode col..." com uma charge bem fora!!!!!!!!!!!

Zulenny - Goiânia

Big Chopper de la Frontera disse...

E se voce tiver mais de uma harley, com estilos bem diferentes, voce seria bipolar? Ou multiplas personalidades?

Fora a brincadeira, muito bom o texto!

Big.

Toecutter disse...

Função antes da forma é sempre garantia de autonomia. Pra escolher o guidão rodei mais de 1000 km com cada opção até achar o meu número...

Naza disse...

Bom dia Lord! As vezes eu achava que estava acontecendo só comigo comecei a andar de moto em 97 tinha uma cb 450 92 coloquei um alforge de cavalo e um Guidom da cb2 .depois comprei uma dyna a qual me pertenceu por um longo tempo sempre curti as magrelas,mas hj estou atrás de uma road King sabendo que vou comprar uma electra!

Pena disse...

eu sou a prova incontestável que teu texto é verdade!

comprei uma (tão maldita falada) kansas da Dafra em 2009 na loja... 21 anos, um moleque.. que nao sabia o que fazia. financiei e paguei quase o dobro. mas valeu CADA CENTAVO! rodei 85mil km com ela, nunca precisei abrir nada no motor, com exceção dos discos de embreagem... óleo sempre em dia. até que um dia chegou a hora dela partir... hoje... 9 anos (customizações) depois.... a moto não tinha mais marca, nem modelo. era minha, tinham meus detalhes, marcas de quem carreguei comigo e marcas de quem ficou pra trás. e de todas as coisas que modifiquei/coloquei a melhor foram os quilômetros e mais quilômetros de viagem... e as gavetas organizadas dentro da cabeça enquanto limpava a mente no silêncio dentro do capacete.




traga mais textos a tona, lord!

p.s.: sobre a CB... também tive uma 450... Roxanne... até hoje me aperta o coração ao lembrar dela! rs.

Unknown disse...

Muito bom!!! Uma coisa que percebi ao longo dos anos: quem roda vai adequando a moto para ficar melhor, que não roda critica a customização dos outros.. abraço

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