terça-feira, 22 de novembro de 2011

Outros tempos...



Sou do tempo em que Escudados não falavam com PPs.

PP pra mim era pó e puta. Itens essenciais que esses aspirantes a alguma coisa deveriam arrumar em qualquer lugar onde eu colocasse as botas.

No meu tempo ou o seu comprometimento com o clube era de 100%, ou então rapa fora mané. Não sei bem ao certo porque raios estou tocando nesse assunto, mas acho que foi a primeira coisa que me veio à cabeça depois que meu sobrinho foi embora e deixou uma tela em branco dizendo: pronto, agora é só digitar e depois clicar em publicar.

Mais cedo estava mexendo na bicuda e comecei a ler as manchetes do jornal sujo de óleo que estava no chão. Nada que preste, como sempre. Mas descobri que em SP tem neguinho quebrando faculdade pra poder fumar bagulho. Eita geração de merda essa, acho que eles não entenderam o espírito da coisa.

Já cagado de óleo, resolvi apertar um e ficar ali, sentado no chão e pensando na vida. Lembrei de uma vez em que ainda era PP e levei uma menina pra minha sede.

Lá chegando, havia apenas um outro PP (o Penetra) e um Escudo, meu padrinho. Sorte a minha, senão teria perdido a garota. A dita cuja começou a beber, uma, duas, três ... oito latas de cerveja. Meu padrinho meteu o pé.

Surge uma cachaça e meu irmão lança a pilha errada: duvido você tomar um copo inteiro disso aqui...

Me aconcheguei num canto qualquer, apertei um, e fiquei assistindo a cena. Ela virou a porra toda, simples assim. E ao invés de arrotar, soltou a seguinte pérola: sou uma putinha e vocês querem se aproveitar de mim...

Engasguei de tanto rir. Nisso ela pega meu bagulho e dá um tapa. Meio surpreso eu perguntei: você fuma? Ela dá outro tapa e me responde antes de ir ao banheiro: tem sempre uma primeira vez...

Saiu do banheiro toda mijada, botou mais fumaça pra dentro e tentou em vão subir as escadas que levavam para o matadouro. Cafofo que ficava atrás da sede, carinhosamente assim apelidado. Ela sentava em um degrau, colocava as mãos no outro, e levantava a bunda, e assim foi até completar essa árdua missão.

Meu irmão olhou pra mim como que dizendo "toma que o filho é teu" e se mandou.

Coloquei a bicuda pra dentro, fechei a porta da sede e fui ver o que me esperava.

Ela havia fumado a porra toda e estava com os peitos pra fora querendo me agarrar. Desabou no chão, não conseguia ficar em pé. Se mijou de novo.

Tesão zero com aquela cena. Levei ela pra cama. Não pretendia comê-la, quem sabe ao menos um lanchinho...

Nada.

Ela não conseguia fazer nada. Era um peso morto rolando pelado de um lado pro outro.

Do nada, ouço o barulho da porta da sede se abrindo.

Na pressa coloco as calças sem cueca e desço as escadas. Me deparo com um escudo antigo, cara cascudo mesmo, protagonista de diversas histórias que ouvíamos enquanto PP.

Fudeu...

Então perguntei: vai dormir aí? Sem dizer uma palavra olhou pra mim como se dissesse: tá mesmo perguntando isso?

Fudeu, fudeu...

Tentando me safar de alguma forma, pensei em oferecer o peso morto pra ele, vai que se anima em dar umazinha antes de dormir. Só que nesse momento vi que ele estava acompanhando de uma mulher e uma criança. Então perguntei: elas vão dormir aqui com você?

Novamente sem dizer uma palavra olhou pra mim como se dissesse: tá de sacanagem PP?

Fudeu, fudeu, fudeu...

Então eu disse: ok, me dá uns segundinhos pra resolver uma situação. Ele nem respondeu.

Subi correndo, e comecei a cutucar a infeliz, enquanto me vestia. Ela começava a me agarrar e eu retrucava: filha, você num tá entendendo, a casa caiu, temos que rapar fora agora.

Acontece que a criatura estava pelada, de pernas abertas, não falava nada com porra alguma e mal conseguia se mexer.

Comecei a vesti-la de qualquer jeito mesmo. Puxei para fora da cama e ela deu com as costas no estrado. Parte de cima já foi. Desabou na cama de novo. Puxei de novo e mais um arranhão com as costas no estrado. Consegui vestir a parte de baixo.

Tirei ela da cama e larguei no sofá. Só que ela não perdia a mania de ficar com as pernas abertas. Nenhuma criança poderia ver aquela cena. Sem saber como tirar ela dali, liguei para o Penetra pedindo ajuda. O fiadaputa já tava no décimo sono, mas veio me ajudar.

Ele veio de carro. Fomos até aquele corpo estirado e ele me disse: segura no colo e desce as escadas. Como assim, falei, pega nos pés dela. Ele disse, não vou pegar porra nenhuma. Peguei pelas costas, com os braços no suvaco dela. Só que estávamos ambos suados e a menina foi escorregando. Comecei a rir até não aguentar e largar ela no chão.

Assim não vai dar, eu disse.

-Pega pela frente então.

Peguei pela frente e comecei a tentar descer a escada. Logo no primeiro degrau, não sei porque razão ela travou as pernas e eu não conseguia descer mais.

Nisso, o Escudo veio ver o que estava acontecendo e começou a rir. Cheio de bagulho nas idéias comecei a rir também e perdi a força. Cai na escada com ela em cima de mim.

Chorando de tanto rir, eu implorava: por favor, para de rir, senão eu não consigo.

Peguei ela de novo e começamos novamente a descer.

Mais uma vez a desgraçada empaca no meio da escada. Perdi a paciência e comecei a chutar suas canelas, para ver se as pernas se mexiam. O Penetra dizia: você está pisando nos pés dela. Foda-se, não quero nem saber, eu respondia.

Nisso chegou a mulher do Escudo e os dois caíram na gargalhada.

Perdi a força de novo e nos estabacamos escada abaixo.

Finalmente Penetra se compadeceu da minha situação e pegou os pés da menina enquanto eu segurava pelo suvaco e levamos até o carro. Naquela hora da madrugada, quem visse a cena não teria dúvidas que estávamos desovando um corpo.

Acontece que não conseguimos enfiar ela direito no carro, e eu, sem paciência alguma, dobrei as pernas dela pra cima, igual um frango assado e fechei a porta. Peguei um saco de lixo preto, para caso ela vomitasse e dei na mão do Penetra.

Vai esquartejar? ele perguntou.

Para de onda Penetra, entra nessa porra e vambora...

Na primeira esquina que viramos demos de cara com um carro da polícia interrompendo o trânsito e revistando os motoristas. Agora é que danou-se, pensamos. Dois indivíduos, um emaconhado e o outro com cara amassada de sono. Uma mulher desacordada no banco de trás, com as pernas dobradas pra cima igual frango assado. Um saco de lixo preto e grande. E, obviamente, ambos portando facas nada amistosas.

Paramos o carro alguns metros antes. Fingimos uma pane qualquer, abrimos o capô e rezamos. Rezamos para que ninguém viesse nos ajudar.

Coisa de 10 minutos depois rolou um tiroteio e os puliça se mandaram em perseguição. Aproveitamos a brecha e deixamos a garota em casa, devidamente entregue nas mãos do porteiro que disse: ih, relaxa, já estou acostumado...

O que aconteceu com ela não sei. Nem quero.

Voltei pra sede, trepei na bicuda e, no caminho pra casa, lembro-me de pensar, com satisfação:

- O Escudo não fala comigo, mas riu comigo...

Outros tempos...

11 comentários:

Lord Of Motors disse...

Alô "Bob Tequila", mais um Velha Guarda comprando a briga aqui no LoM. Seja muito bem vindo!!!

História boa pra cacete!!!

Lixo Morlocks disse...

Bons tempos.....
Tá cada vez mais difícil manter um clube como antigamente!!!

BearLake disse...

"devidamente entregue nas mãos do porteiro que disse: ih, relaxa, já estou acostumado... " HAHAHAHAHAHA


Vai que a infeliz um dia lê isso e vê que proporcionou uma bela história!

Sensacional!

Anônimo disse...

Pode até ser ficcção ( no todo ou em parte ), mas que tá engraço e bem escrito está! KKK!
[]s, Velho Lobo.
Ps. Faltou dizer se era gostosa.

Anônimo disse...

Não se fazem mais clubes como antigamente!!!

BIG CHOPPER DE LA FRONTERA disse...

Ahhhh fazem sim, eu conheço um que é MC mesmo! rsrs

*****ÍNDIO***** disse...

Caraio me mixei de rir, mto boa a história, obrigado por compartilhar!!!

Anônimo disse...

BOTA MAIS H OU I, STORIAS DE MOTO AI LORD!!!

Alice disse...

Eae Lord essas histórias são otimas te-las nos faz viajar e imaginar um tempo que infelizmente não existe mais mas quem teve sorte viveu isso e vai levar pra sempre consigo, abç

Anônimo disse...

Bons tempos, eu me lembrei de uma vez fiz muito parecido, só que o problema foi a porta de vidro do "cafofo" haushaush

Pepeu disse...

Cacete....quase me mijei de tanto rir...

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