quinta-feira, 5 de abril de 2012

Conta, Caveira.



Fui comprar um peixe ali na praia de Itaipu e encontrei com meu amigo Wilson Caveira. 
Tomamos uma pinga e uma Brahma enquanto ele me contava esse causo:




"

Já tinha me acontecido antes. Uma hora o saco enche mais que a conta, e chuto o balde.

Catei a grana do caixa do bar, montei na Shovel e fui embora.

Tinha ouvido alguém comentar de um evento que teria numa cidadezinha do interior, Rio das Rosas ou algo parecido, uns 500km de casa. Qualquer destino seria melhor que aturar outro bebum chorando suas mágoas no meu balcão.

Chuva na estrada, a Shovel dando uns pipocos, um para não para durante toda a viagem.



Cheguei molhado até os ossos, mas cheguei. Só parando pra abastecer e mijar. Cheguei com fome, com frio, e com uns caraminguás no bolso que mal dariam pra viagem de volta.

Um banho de pia no banheiro de um botequim, troca camisa, e o Caveira aqui tá pronto pra outra. No próprio boteco descolei um PF, uma gelada, e, de pança cheia, procurei um lugar pra apertar um digestivo.

Achei uma área de camping do evento. Já tinha umas barracas montadas. Sentei embaixo de uma mangueira e queimei meu beck. Dei uma cochilada por ali mesmo, e quando acordei, o evento já tava bombando. Quer dizer, bombando pra Rio das Rosas...

Uns adolescentes cabeludos tocando um rascunho de Iron Maiden alto pra caralho, e as barangas de sempre dançando perto do palco. Essas barangas são um perigo, os maridos costumam ficar por perto balançando ao ritmo do porre, mas de olho em suas preciosas.



E nem um conhecido naquele fim de mundo.



Sorte que eu tinha catado um Domecq no boteco, e lancei-me à nobre arte de encher a cara.

Doidão, o evento parecia mais interessante, e o tempo passou mais rápido. Logo já não tinha mais banda nenhuma, as barraquinhas fecharam, e todo mundo vazou.

E agora, Caveira?

Voltei pra área de Camping, já me vendo embaixo da mangueira enrolado na jaqueta, resmungando entre o frio e os mosquitos.



E eis que lá de longe vejo ela.



Uma mulatinha pequenininha. Um cabelão de leoa, terminando de arrumar uma barraca. De longe, doidão, fiquei reparando. Tava sozinha. Meio magrelinha ela. Uma nareba sinistra.  Mas tinha um colchonete dentro da barraca. Parecia quentinho ali dentro.

A neguinha me percebeu olhando pra ela. Deu um molinho.

Dei um sorriso, ela retribuiu. Faltavam uns dentes ali. Não muitos.

Debaixo da mangueira ia ser uma noite gelada...

Passemos a vara na magrinha.



Já estava caminhando na direção da barraca, quando vi ela virando de costas. Bunda zero. E saiu andando. Tá fundo tá raso, toda tortinha, uns 10cm de diferença de uma perna pra outra.

Tadinha. Nada contra, já provei de tudo nessa vida.

Mas é que eu me conheço. Aquele monstrinho ia acabar me dando tesão e eu ia acabar dando-lhe  uma pirocada de partir ela ao meio. Ou a tortinha ia fazer um escândalo que ia acabar dando merda, ou ia ficar apaixonada pro resto da vida.

Isso não se faz.

Melhor mesmo fazer uns pontos com meu karma...  ainda tinha 500km pra voltar pra casa...




E até que o chão tava seco debaixo da mangueira...

"

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse Caveira é duca!

Leite/pp/SP disse...

rsrsrs , otima estoria !!

Corujão disse...

Gostei do....já provei de td nessa vida....kkkk....muito boa....

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