quinta-feira, 16 de agosto de 2012



"Enfim o cavalo era para o gaúcho um próximo, não pela forma, mas pela magnanimidade e nobreza das paixões. Entendia ele que Deus havia feito os outros animais para vários fins recônditos em sua alta sabedoria; mas o cavalo, esse Deus o criara exclusivamente para companheiro e amigo do homem.

Tinha razão.

Se o homem é o rei da criação, o cavalo serve-lhe de trono. Veículo e arma ao mesmo tempo, ele nos suprime as distâncias pela rapidez, e centuplica nossas forcas. Para o gaúcho, especialmente para o filho errante da campanha, esse vínculo se estreita.

O peixe carece d água, o pássaro do ambiente, para que se movam e existam. Como eles, o gaúcho tem um elemento, que é o cavalo. A pé está em seco, faltam-lhe as asas. Nele realiza o mito da antiguidade: o homem não passa de um busto apenas: seu corpo consiste no bruto. Uni as duas naturezas incompletas: este ser híbrido é o gaúcho, o centauro da América."

José de Alencar - "O Gaúcho" - 1870.

Um comentário:

SW disse...

Bah ... Tche !!!
Sou do Rio Grande do Sul e lendo este tópico não posso deixar de dizer umas palavras .
Muitas e muitas vezes a gente encontra pessoas que perguntam :
" Vão tão longe de moto ? Se chove ? Se faz frio ? Por que não vão de carro é mais confortável. "
A resposta que dou é uma bem simples:
" Pergunta pro Gaúcho lá encima do Cavalo no campo ou nas coxilhas, quando olha o horizonte e ve o tempo fechar , o minuano sopra nas orelhas. Se ele troca esta vida por outra."
Termina o assunto assim. Por que se você perguntar, provavelmente não ouvirá nada, resposta nenhuma.
Não adianta explicar Liberdade para quem gosta de amarras.
O negócio é ajeitar o chapéu, erguer a gola do pala e continuar.

Abraço.

SW - Malditos MC - POA - RS

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