quinta-feira, 2 de outubro de 2014

"Bela bela mais que bela..."


turvo, turvo
a turva
mão do sopro
escuro
menos menos

menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos
que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa
alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as
entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
teu cu
tua gengiva igual tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas
de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras)
como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e
oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
Nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite
e tanto dia.




Poema Sujo - Ferreira Gullar.

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