sexta-feira, 20 de março de 2015

Fala, Caveira




Acordei de repente.

Tinha apagado no sofá do bar de novo.

Um último cliente deve ter encostado a porta quando saiu.

Perto da porta tinha um cachorro dormindo.

Levantei, fui abrir a porta pra enxotar o cachorro.

A Shovel ainda estava lá.

Voltei pra dentro, mijei, tomei um pouco d’água da pia.

Pensei em sair na Shovel. Mas estava muito bêbado ainda pra andar de moto. E bêbado demais pra quicar essa merda 30 vezes.

Saí na direção de casa.

Lá vinha ela na calçada. Cambaleando, se encostando nas portas imundas das lojas.

Vem passando me olhando com aqueles olhos lindos, vermelhos e verdes, maquiagem escorrendo.

“- Puta!”

“- Cachaceiro!”

Antes que ela virasse dei-lhe um tapa. Pegou na lata.

De novo aquele olhar. Furiosa, doidona, tesuda.

Catei ela pelo braço e fui levando pro bar.

Fiquei tarado. Joguei ela no sofá que ainda estava quente, ataquei ela com força. Como ela gosta.

Ela me respondeu carinhosa. Como eu gosto.



Acordei de repente.

Barulho de fritura e um cheiro perfeito vinham da cozinha.

Ela me deu uma Coca-cola estupidamente gelada.

“- Acorda que já ta quase na hora de abrir o bar.”


W.C.

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