segunda-feira, 5 de junho de 2017

O filho do Wilson Caveira


A fruta não cai longe do pé, filho de peixe peixinho é.

William Caveira, filho de Wilson Caveira, pela primeira vez aqui no LoM, contando um de seus causos.



"Fim de tarde, o sol começava a surgir depois de uma pancada de chuva. Coisa rápida, mas o suficiente pra eu chegar no posto ensopado até o saco. Um posto desses bem fuleiros de beira de estrada. Secando a carcaça no sol, sentado naqueles bancos de madeira, com os pés apoiados na moto, pensado na vida e em como o Twin Cam 88 é o melhor motor já fabricado. 

Alguns caminhões parados, meninas de mini-saia perambulando entre eles, eis que um caminhoneiro para ao meu lado observando o Harlão empoeirado, e solta:

- Essa é a rainha da estrada! Quantas cilindradas? 

- 1450, eu respondo. 

Ele estende o copo que trazia na mão e emenda: 

- Vai um rabo-de-galo aí? 

Rabo-de-galo... 

A lembrança me dá um arrepio na espinha, em meio a uma larga risada eu agradeço e digo: - Não amigo, ainda não sou Homem suficiente pra isso. 

E que lembrança. Uma noite fria, eu ajoelhado entre a Shovel e a Twin Cam, vomitando as tripas e o meu velho, o velho Wilson Caveira, em pé, com o braço apoiado no guidão da Shovel e na mão o copo me larga: 

- Falei que tu não aguentava me acompanhar no rabo-de-galo. Tu ainda não é homem pra isso. 

Eu ali, ajoelhado no chão, com os respingos de vômito na minha roupa, na tampa da primária da Shovel, as mãos apoiadas na plataforma... Uma náusea ensandecida, secando a boca com a manga da jaqueta consegui largar um: - Vai se foder véio do caraio. 

Foi uma das primeiras vezes que eu tentava provar pro meu velho que eu já estava pronto. O velho Wilson. Também chamado pelas pessoas mais bizarras da cidade pelo apelido de Caveira. 

 A entrada de mais um caminhão levanta a poeira e arrasta meus pensamentos de volta ao posto. Termino meu café, visto o capacete. Chamo o caminhoneiro e pergunto: Ae, seguindo reto aqui eu saio em Casadocaralhópolis? Meu véio falou que rola um evento massa lá! 

Ele franze a testa e responde: Não! Essa rodage termina em Cudomundópolis. Você tinha que ter entrado lá atrás a direita. Daqui lá deve dar uns 400 km. 

Bem que o velho me alertou que esse trecho era meio baralhado. Desafivelo o capacete, dou um tchauzinho pra mina da mini-saia, viro pro caminhoneiro e pergunto: Aquele rabo-de-galo ainda tá na mão? 

É, vai ser uma longa jornada noite à dentro..."







Um agradecimento muito especial ao amigo Ricardo "Lixo", dos Morlocks MC. 
Tamo junto!

3 comentários:

Naza disse...

O Caveira tem que publicar um livro, o cara é foda nos causos.depois que ele bebeu o próprio bar, deu sorte de encontrar as latas do Solana. Se não estaria numa merda de dar gosto!

Levi Quintanilha disse...

Saudades de ler os causos do WC ! Sempre bem escritos.

Sergio disse...

Apesar do tempo que acompanho o LOM, só agora descobri essa figuraça do Caveira, só causo do caraleo, tem que ter mais umas prosas dessas pra tirar da manga Lord!

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