sábado, 15 de setembro de 2018

Buk.




"Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. 

Descartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. 

Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. 

E depois veio Kierkegaard: “Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?”. 

E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. 

Adoro esses caras. Embalam o mundo. 

Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? 

Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo em cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas. 

(...) 

O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. 

Suas mentes estão cheias de algodão. 

Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. 
Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. 

Seus cérebros estão entupidos de algodão. 

São feios, falam feio, caminham feio. 

Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouvi-la. 

A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer."


" Bukowski, in: O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio."

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