quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Criolo - BOCA DE LOBO






Agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu 
 Aonde a pele preta possa incomodar 
Um litro de Pinho Sol pra um preto rodar 
Pegar tuberculose na cadeia faz chorar 
Aqui a lei dá exemplo: mais um preto pra matar 
Colei num mercadinho dum bairro que se diz pá 
Só foi meu pai encostar pros radin tudin inflamar 
Meu coroa é folgado das Barra do Ceará 
Tem um lirismo bom lá, louco pra trabaiar 
Num toque de tela, um mundo à sua mão 
E no porão da alma, uma escada pra solidão 
Via satélite, via satélite 15% é Google, o resto é deep web 
Na guerra do tráfico, perdemo vários ente 
Plano de saúde de pobre, fi, é não ficar doente 
Está por vir, um louco está por vir 
Shimigami, deus da morte, um louco está por vir 
Véio, preto, cabelo crespo 
Made in Favela é aforismo pra respeito 
Mondubim, Messejana, Grajaú, aqui é sem fama 
Nos ensinamentos de Oxalá, isso é bacana 
Na porta do cursinho, sim, docim de campana 
LSD, me envolver, tem a manha 
Diz que é contra o tráfico e adora todas as crianças 
Só te vejo na biqueira, o ativista da semana 
 La La Land é o caralho, SP é Glorialândia 
Novo herói da Disney é Craquinho, da Cracolândia 
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana 
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana 
1 por rancor, 
2 por dinheiro 
3 por dinheiro, 
4 por dinheiro 
5 por ódio, 
6 por desespero 
7 pra quebrar a tua cabeça num bueiro 
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis 
Pacote de Seven Boys 
Nem Pablo Escobar, nem Pablo Neruda 
Já faz tempo que São Paulo borda a morte na minha nuca 
A pauta dessa mesa coroné manda anotar 
Esse ano tem massacre pior que de Carajá 
Ponto 40 rasga aço de arrombar 
Só não mata mais que a frieza do teu olhar 
Feito rosa de sal topázio, és minha flecha de cravo 
Um coração que cai rasgado nas duna do Ceará 
Albert Camus, Dalai Lama 
A nós ração humana, Spock, pinça vulcana 
Clarice já disse, o verbo é falha e a discrepância 
É que o diamante de Miami vem com sangue de Ruanda 
Poder economicon, cocaine no helicopteron 
Salário de um professor: microscópicon 
Papiro de papel próprio, letra com sangue no olho de Hórus 
É que a industria da desgraça pro governo é um bom negócio 
Vende mais remédio, vende mais consórcio 
Vende até a mãe, dependendo do negócio 
Montesquieu padece, lotearam a sua fé 
Rap não é um prato onde cê estica o que cê quer 
É a caspa do capeta, é o medo que alimenta a besta 
Se três poder virar balcão, governo vira biqueira 
Olhe, essa é a máquina de matar pobre 
No Brasil, quem tem opinião, morre 
 La La Land é o caralho, SP é Glorialândia 
Novo herói da Disney é Craquinho, da Cracolândia 
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana 
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana 
1 por rancor,
2 por dinheiro 
3 por dinheiro, 
4 por dinheiro 
5 por ódio, 
6 por desespero 
7 pra quebrar a tua cabeça num bueiro 
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis 
Pacote de Seven Boys


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...