segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Gone South

Sobre facebook, curtidas e amores...


Quando a internet comercial se expandiu entre 1995 e 1999, aos poucos ela foi retirando as pessoas da frente da TV. Passamos de meros expectadores à formadores de opinião.Criadores de conteúdo utilizando espaços democráticos em uma rede livre. O Google ajudou a revolucionar essa forma de uso e fez com que as pessoas buscassem a informação em diversos espaços da rede sem centralizá-la.

Quando tudo seguia bem dentro dessa lógica que por si só já era revolucionária, o Facebook chega e faz com que as pessoas sigam pelo caminho inverso. Transforma a web em TV e agora as pessoas assistem o mundo através do Feed de Notícias. São pautadas pela opinião e aprovação ou não dos amigos em um mundo onde pensar diferente é um ofensa pessoal. Em um mundo onde temos que proteger os fortes dos fracos, como dizia Nietzsche.

Zuckerberg conseguiu isso atacando o ponto fraco do ser humano moderno: o EGO.

Como ele conseguiu reunir público em escala global em uma rede privada de informações, exatamente o contrário de tudo aquilo que pode se chamar de internet livre?

Antes do Facebook todos usavam nicknames para se comunicar em fóruns e demais ferramentas da rede. A primeira tacada de Zuckerberg foi criar uma rede com nomes reais, onde você inevitavelmente se expunha à aceitação social. Sua personalidade no facebook seria analisada e aprovada por futuros amigos, namorada(o)s, até mesmo patrões. Seu comportamento no facebook teria que ser à prova de análises bem detalhadas, teria que ser "padrão".

Mas aí, Mark veio com a maior das sacadas, um extremo estímulo ao comportamento "padrão". Criou uma ferramenta massageadora de egos, o "like". Os likes representam poder e massagem diária em um mundo de egos aflitos. É o "Você está certo!", o "Concordo contigo!" , o "Gostei!" reduzido ao apertar de um botão! E não há nada mais estimulante para o ego humano do que saber que está agradando. Que está certo, mesmo não estando. E todos passamos a escrever frases de efeito, hashtags maneiras e postando fotos engraçadas, sensuais ou polêmicas em busca de "likes".

E o amor.

Nessa caça por "likes", o amor é commodity importante. Querer que todos saibam o quanto temos sucesso na vida, no trabalho, no amor. Como diziam antigamente, de nada adianta comer a Vera Fisher se não puder contar pra todo mundo.

E as relações superficiais se transformam em desesperados gritos de EU TE AMO, de AMOR DA MINHA VIDA, de SOMOS UM PARA SEMPRE. Coisas que ficariam melhor sussurradas ao pé do ouvido passam a ser pedidos de aceitação social, esmolando por "likes" e tomando espaço em nossas timelines.

E de superficialidade em superficialidade, de sentimentos fabricados para conquistar mais aprovação social, e de frustrações inevitáveis, vamos levando esses loucos anos 10.


AGORA, VAI LÁ NA PÁGINA DO LORD OF MOTORS E DÁ UM LIKE...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...