domingo, 5 de abril de 2020

Nanda Moura - Grinnin' In Your Face (Son House)



"Coronavírus escancarou a conta do nosso egoísmo" - Pedro Aihara




No último dia 22, no meio da pandemia de coronavírus, uma senhora de 90 anos faleceu na Bélgica após ter recusado o ventilador mecânico para ceder o equipamento em favor de alguém mais jovem. “Guarde para alguém mais jovem. Eu vivi uma boa vida” foi o que ela disse dias antes de falecer. 

Não é hidroxicloroquina ou cloroquina que irão nos salvar dessa vez.  

O inimigo dessa vez é invisível e implacável: fez os líderes das grandes nações parecem crianças assustadas, fez o Papa sozinho e cabisbaixo perdoar os nossos pecados, fez judeus e muçulmanos rezarem juntos. As nossas tradicionais armaduras falharam. 

De nada adiantou o poderio militar nuclear dos mísseis ou os inalcançáveis imóveis de luxo do Central Park: o gramado agora está cheio de tendas de hospital de campanha. 

Nossos planos de saúde caros não foram suficientes para tirar o receio da falta de equipamentos de nossas cabeças e tampouco nossos celulares e televisões sofisticados foram capazes de entreter no meio dessa solidão sentida e vivenciada por todos. 

 Sentimo-nos amedrontados, perdidos, sozinhos. 

E aí, diante de algo que não sabemos como nem quando vai acabar, fomos obrigados a ajoelhar. E para ajoelhar, todos nós fomos obrigados a aprender que é necessário sair dos nossos tronos, das nossas bolhas, das nossas coberturas, das nossas realidades e aproximar a cabeça do chão, frágeis e despidos. 

 Quando a gente se abaixou, acabamos esbarrando as cabeças uns nos outros e o milagre começou a acontecer. Começamos a perceber que a doença que mata a minha mãe também mata a mãe de quem mora do outro lado do mundo. 

Vimos que o mesmo problema que quebra o meu negócio desemprega o meu funcionário mais simples. 

Passamos a enxergar a importância de profissões que muitas vezes considerávamos pouco importantes ou dispensáveis. 

Constatamos que o medicamento que me falta também faltará para quem mora na favela. Sentimos que a mesma solidão que se abate sobre mim angustia o outro que tem nome, cor, origem e religião diferentes dos meus. 

Despedaçados perante nossos medos mais ocultos, enfim fomos obrigados a admitir aquilo que já sabíamos mas não queríamos aceitar: somos todos iguais. No final das contas, após todo o dinheiro, todo o status, todos os privilégios, encolhemo-nos de medo das mesmas coisas e sentimos uma compaixão comum diante dos números que crescem, seja na Itália, nos Estados Unidos ou na nossa cidade.

Se antes bastava se cercar no próprio feudo e a guerra não chegaria ali, agora, para funcionar para mim, precisa funcionar para todo mundo. Para que eu seja protegido, preciso proteger os outros. A conta do nosso egoísmo chegou, cara e sem nenhum desconto.

Mas com o milagre, percebemos que essa conta pode ser paga de outra forma. Dito e repetido, não são hidroxicloroquina ou cloroquina que encerrarão esses tempos obscuros. Já descobrimos a cura e ela se chama amor. Pode parecer piegas, não é mesmo? Mas a verdade é que chegamos no ponto decisivo, na curva da inflexão na qual ou nós mudamos a maneira de convivermos enquanto sociedade ou estaremos sempre à mercê de nosso próprio egoísmo disfarçado de vírus, guerras, crises econômicas ou governantes inescrupulosos.

 Para muito além do desespero e caos que estafam a nossa mente, o Brasil que se apresenta agora é o Brasil dos profissionais de saúde exaustos que se revezam incansavelmente para salvar pessoas que nem conhecem. 

É o Brasil de empresários assumindo prejuízos para não demitir seus funcionários. 

É o Brasil de pessoas parando suas atividades para garantir o bem-estar de outros. 

É o Brasil dos entregadores, garis, caminhoneiros e caixas de supermercados. 

É o Brasil de pessoas que doam o pouco que tem para que quem tem menos ainda possa ter algo. 

É o país do amor ao próximo e de gente que se preocupa com gente, de forma real e para além de qualquer discurso vazio e hipócrita.

 Esse país de gente solidária, trabalhadora e resiliente pode afinal ser o gigante que acordou, ainda que tantos discursos e personagens irresponsáveis tentem macular nosso foco. A reflexão sobre qual lado da história iremos (e optaremos por) estar nunca foi tão necessária.

 Tempos difíceis servem para algumas coisas, entre elas grandes aprendizados e reflexões incômodas. 

Quando aquela senhora heroína na Bélgica cedeu seu equipamento, a afirmação dela pode e deve ser repetida aqui: “guarde para alguém mais jovem”. 

E dessa vez, não é sobre o equipamento. É sobre o legado e a história que estamos construindo nesse momento decisivo. É a hora de abaixarmos as nossas bandeiras ideológicas e substituí-las por empatia, bom-senso e álcool em gel. 

Fiquemos em casa e ajudemos uns aos outros, irrestritamente. 

Construamos, unidos, nesse momento difícil, uma nação melhor e mais solidária, para que possamos deixar, após a crise, um país melhor “guardado para os mais jovens”. 

É essa a real cura para o temido vírus.


 Pedro Aihara é bombeiro militar, mestre em Direitos Humanos, especialista em Gestão e Prevenção de desastres, professor e palestrante. Atuou em crises como as de Brumadinho, Mariana, Janaúba, entre outras.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Novidades da Harley Davidson a caminho.



A Harley mais uma vez se esforçando pra trazer novidades para seu mercado consumidor.

Pelo que se sabe, pelo menos dois novos modelos parece que vão surgir em breve.

De um lado, mais "conservador", uma linda "Cafe-racer", com um acabamento em preto e bronze.



Do outro lado, uma versão nova da XR1200 visando o público das Flat Tracks, que deve fazer sucesso neste meio tão em voga atualmente.


Além de ambas aparecerem com o motor Revolution Max, pouco se sabe sobre  essas novidades.

É aguardar pra ver.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

LERFÁ MÚ e CELACANTO PROVOCA MAREMOTO






No final da década de 70 começaram a pipocar na zona sul do Rio de Janeiro os primeiros grafites-não-identificados: uma verdadeira batalha nonsense entre os dizeres LERFÁ MÚ e seu “rival” CELACANTO PROVOCA MAREMOTO.

Provocando a curiosidade dos mais atentos, surgiam enigmaticamente nos locais mais improváveis,  emergindo do rescaldo das pichações políticas contra a ditadura que predominavam até então.


Qual seria o verdadeiro significado daquelas palavras? Como teasers, geravam as especulações mais bizarras nas conversas de bar e mais tarde na imprensa, enquanto os dois autores do LERFÁ MÚ e sua trama estavam rolando de rir.

Num clima meio Cheech&Chong, dividiam-se entre a PUC, o estúdio de fotografia e serigrafia no qual eram sócios, os intermináveis ensaios de rock e música blue grass, e os “ataques” clandestinos às paredes da cidade.


Os criadores do LERFÁ MÚ, Guilherme Jardim e Rogério Fornari, eram fotógrafos e músicos – entre outras coisas - e eram assim: divertidíssimos.

Aqueles dizeres, mera corruptela do private joke que invertia sílabas na gíria de iniciados do bairro, dizendo em código lerfá-mú lhobagu para falar “vamo fumá um bagulho?”, vinham sendo ingenuamente repetidos por autoridades e pessoas públicas, disseminando o uso da cannabis sem nenhuma intenção - para a alegria dos grafiteiros e doidões locais.



E insuflado pela crescente notoriedade anônima que aquele simples anagrama assumia, LERFÁ MÚ partiu para a disputa de espaço com o outro grafite, o CELACANTO PROVOCA MAREMOTO.

Quem era Celacanto? Por que ele provoca maremoto? As pessoas passaram a afirmar, principalmente, que “Celacanto” era um código de encontro entre traficantes, enquanto outros diziam que poderiam ser mensagens de extraterrestres.

Na verdade  “Celacanto Provoca Maremoto” é uma frase que surgiu na série japonesa, da década de 1960, National Kid. No episódio “A Revolta dos Seres Abissais” uma das histórias contadas é a do peixe chamado celacanto. Um dos vilões do programa, Dr. Sanada, em determinado momento, diz que o “celacanto provoca maremoto”; sendo essa referência original.

Carlos Alberto Teixeira, o "CELACANTO" original, conta  que, na época, a brincadeira cresceu e ficou famosa a ponto de aparecer em noticiários. O jornalista afirma que a brincadeira surgiu no quadro da sala de aula e daí foi para os tapumes de obra. Depois de criar seu padrão, ele ensinou alguns amigos a fazer a pichação de acordo com o seu estilo – para que esses, então, pudessem reproduzí-la da forma correta.

Um detalhe interessante é sobre a disputa que se seguiu:

CELACANTO vinha provocando LERFÁ-MÚ trocando desafios sob forma de grafite nas paredes dos banheiros masculinos da PUC, onde ele também estudava.

Depois de muitos acordos, travados por escrito e sem se verem, marcaram um misterioso encontro num dos cruzamentos mais barulhentos e movimentados do Rio: esquina da Av. Nossa Senhora com Figueiredo de Magalhães, em plena Copacabana. Para se identificarem mutuamente, ambos portariam um guarda-chuva preto.

Nunca se soube o resultado político deste duelo.

Rogério, anos depois partiu para uma vida alternativa num sítio no interior de Minas. Celacanto, continua provocando por aí.

Mas o que se sabe é que, agentes provocadores que foram, deixaram sua marca. E entraram para a história como Lendas Urbanas do Rio de Janeiro.




FONTES: 
https://imaginetix.blogspot.com/?m=1    
http://www.museudememes.com.br/

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

COMUNICADO LORD OF MOTORS



Serve o presente para comunicar publicamente que nós de LORD OF MOTORS, não mais fazemos parte da equipe que produz o Salão Moto Brasil, o BIKE & ART SHOW, e o FESTIVAL MOTO BRASIL DE JAZZ & BLUES. 

Desde 2012 participamos do evento, e tenho orgulho de dizer que conseguimos, nestes 8 anos, apresentar atrações diferenciadas, com identidade e qualidade até então desconhecidas do grande público. 

Fizemos nossa parte na história da Arte de Customização de Motocicletas. Fomentamos o mercado, divulgamos excelentes profissionais do meio, demos espaço a novos nomes, e apresentamos, ano a ano, no Bike & Art Show, o que há de melhor em termos de Customização de Motocicletas no Brasil.

No Festival Moto Brasil de Jazz & Blues, lançamos o conceito do que pode vir a ser uma mudança cultural, uma referência, uma elevação no nível musical da trilha sonora dos eventos de moto do país.

Mas, tudo tem um início, um meio, e um fim. 

E chega ao fim este ciclo de nossa participação no Salão Moto Brasil. 

Com o orgulho do dever cumprido com esmero, e a felicidade de saber que a nossa mensagem foi passada com sucesso. 
Tenho certeza que as sementes por nós lançadas, se devidamente regadas, germinarão, crescerão, e darão bons frutos. 

Aos organizadores do evento, torço para que consigam sanar seus problemas de gestão, administração e produção. 

Já a "parceiros" e fornecedores do evento, recomendo cautela. 

LOVE IS THE ANSWER. 

Lord.
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