segunda-feira, 23 de março de 2015

Conta, Caveira.




Repostando as histórias do meu amigo Wilson Caveira.







"Era um hotelzinho no alto de uma colina. Um hotelzinho amarelo, desbotado, descascado. Um dia foi um hotel razoável. Mas acompanhou a decadência da cidade. E hoje era um desses hoteizinhos fuleiros. Do tipo que eu estava mais que acostumado.

Era tarde da noite. Na última parada pra abastecer, perto da entrada da cidadezinha decadente, tomei duas doses de rabo-de-galo. Enchi a garrafinha com mais uma meia dúzia de doses, e guardei no bolso da jaqueta. Aos poucos vim mamando a garrafinha. Pra esquentar.

Resultado: bêbado, de madrugada, chegando com a Shovel barulhenta no hotel decadente da cidade decadente.

Bêbado, com frio, esmurrando a porta do hotel.

Eu estava lá para um desses eventos de moto de cidadezinha do interior. Desses que as cidades decadentes realizam, numa tentativa vã de um novo prefeito de renovar o turismo da cidade.

O atendente finalmente me leva pro meu quarto. Fuleiro, pulguento, com cheiro de mofo. Do tipo que eu estava mais que acostumado.

Apaguei de jaqueta e tudo.

Acordei com a boca seca, fui lavar o rosto e beber água da pia. Gelada e suja. Barrenta, chegava ter cheiro.

“Você sabe onde fica o evento?”

O atendente do hotel não sabia.

Saí andando pela rua. A Shovel estava ali, impávido colosso, na frente do hotel. Dei bom dia pra ela, e saí atrás de uma padaria. Precisava comer alguma coisa. Os rabo de galo ainda estavam fazendo uma rinha perversa no meu estomago vazio.

Uma padoca. Um café e um pão na chapa. Uns cachaças me olhando com cara de curiosos, uma senhora desvia o caminho pra não passar perto de mim. Foda-se, já estou acostumado. “Se a senhora está com medo de mim de roupa, vai surtar se me ver nu.” pensei enquanto sentia o café descendo pela garganta e esquentando o estomago.

“Patrão, sabe onde fica o evento de moto?”

O cara da padaria não sabia.

Os cachaças não sabiam.

Intrigado, volto pra Shovel e pego o mapa. E o prospecto do evento.

“Ô, atendente. Como chama essa cidade?”

“Cudomundópolis” (ou algo semelhante).

Estava lá, no prospecto.

“Encontro Nacional de Motociclistas de Casadocaralhópolis" (ou algo semelhante).

Boa, Caveira.

Em algum ponto da viagem confundi a cidade. O evento ficava a mais ou menos 400km de onde eu estava.

Voltei pra padoca.

“Me vê uma dose desse Conhaque Dreher aí.”

Vamos matar de vez esses galos no estômago. Vai ser uma longa viagem de volta....




W.C."

Knife Collector by Lord



Novidades no Knife Collector.



A necessidade é a mãe da invenção.


Dare to be perfect.


domingo, 22 de março de 2015

Judge me.



Stripper in Clearwater, FLA showing the judge that her bikini briefs were too large to expose her vagina to the undercover cops that arrested her. 

The case was dismissed.

Where Indians Dare.


sexta-feira, 20 de março de 2015

Fala, Caveira




Acordei de repente.

Tinha apagado no sofá do bar de novo.

Um último cliente deve ter encostado a porta quando saiu.

Perto da porta tinha um cachorro dormindo.

Levantei, fui abrir a porta pra enxotar o cachorro.

A Shovel ainda estava lá.

Voltei pra dentro, mijei, tomei um pouco d’água da pia.

Pensei em sair na Shovel. Mas estava muito bêbado ainda pra andar de moto. E bêbado demais pra quicar essa merda 30 vezes.

Saí na direção de casa.

Lá vinha ela na calçada. Cambaleando, se encostando nas portas imundas das lojas.

Vem passando me olhando com aqueles olhos lindos, vermelhos e verdes, maquiagem escorrendo.

“- Puta!”

“- Cachaceiro!”

Antes que ela virasse dei-lhe um tapa. Pegou na lata.

De novo aquele olhar. Furiosa, doidona, tesuda.

Catei ela pelo braço e fui levando pro bar.

Fiquei tarado. Joguei ela no sofá que ainda estava quente, ataquei ela com força. Como ela gosta.

Ela me respondeu carinhosa. Como eu gosto.



Acordei de repente.

Barulho de fritura e um cheiro perfeito vinham da cozinha.

Ela me deu uma Coca-cola estupidamente gelada.

“- Acorda que já ta quase na hora de abrir o bar.”


W.C.

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